
Bom, não esperava muita coisa da montagem. Pode ser um preconceito bobo meu, mas não sabia que baiano sabia fazer ópera. E de fato, algumas coisas podem ser criticadas. A acústica dos microfones, por exemplo, não estava ruim, mas poderia estar mais alta. O figurino das mulheres ficou aquém do exigido para caracterizar a aristocracia francesa do século XVIII. E a tentativa de encaixar um solo de dança mais contemporânea também foi frustrante.
Tirando esses detalhes, o resultado foi bastante positivo. Em primeiro lugar, fiquei surpreso com a platéia. Em plena segunda-feira, o TCA estava lotado. A platéia em peso assistiu à mais de duas horas de apresentação, com uma animação atípica para este dia da semana. E diga-se de passagem, lotar o TCA mesmo fim de semana, pode ser uma tarefa difícil. Ficou mais que provado que, sim, Salvador tem público para ópera.
O segundo ponto que foi o melhor aspecto da apresentação foi a maestria dos cantores líricos. Excelentes vozes, postura, interpretação corporal intensa, harmonia entre personagens, enfim, um resultado perfeito. A cantora que interpretava Violetta, a transviada dama das camélias, foi incrível, não deixando a desejar desde sua inicial frivolidade ao seu trágico desfecho.
Espero que outras montagens de ópera venham aí, para que o público baiano possa ter contato com essa manifestação artística tão rica e interessante.
PS: A foto postada não é do espetáculo La Traviata, mas não representa a montagem que foi feita aqui, sendo portanto meramente ilustrativa.